Não falta leite em lugar nenhum. A produção nas principais regiões exportadoras continua acima da do ano passado, e a Nova Zelândia está no pico sazonal. O problema é que as duas metades desse leite estão se comportando de forma muito diferente.
A proteína é a metade fácil. A demanda continua crescendo em todas as regiões, e os compradores levam todo o leite desnatado que conseguem, seja para virar leite em pó desnatado, MPC ou leite desnatado condensado. Na Europa, os preços do leite em pó desnatado subiram semana após semana porque o produto para entrega imediata está de fato difícil de encontrar, e muitos compradores ainda têm necessidades a cobrir para o quarto trimestre e para 2027. O ONIL, da Argélia, abre nesta semana uma licitação para volumes de fevereiro a abril de 2027 e, como a Argélia importou pouco até agora neste ano, essa licitação pode ser grande.
A gordura é a metade difícil. Nem mesmo com esses preços mais baixos os consumidores aumentaram o consumo de manteiga, de sorvete ou de produtos de confeitaria. Os estoques de manteiga estão altos em todas as grandes origens, e cada litro de leite a mais acrescenta mais creme de leite a um mercado que já tem de sobra. Os preços europeus até subiram um pouco na última semana, com alguns compradores entrando perto das mínimas e o creme de leite se firmando por fatores sazonais, mas a maior parte da pressão vendedora ainda vem de traders, e não de produtores. A Irlanda está encerrando sua temporada em ritmo forte, o que acrescenta ainda mais gordura.
O leite em pó integral fica entre as duas, e as duas forças se anulam o tempo todo.
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