Os mercados de queijo estão perdendo fôlego aos poucos. Não há nada de dramático no movimento, mas o tom ficou mais fraco para várias variedades. O Cheddar dos EUA lidera a queda, acompanhado pela mozarela da UE e dos EUA, enquanto os demais queijos seguem a distância. Alguns produtores e comerciantes já estão baixando preços por antecipação, embora a falta de uma visão comum sobre o mercado esteja segurando outros.
O motivo é que a oferta supera a demanda. A produção vem crescendo há meses, e agora a demanda também começa a enfraquecer um pouco. Parte disso é sazonal, sobretudo para a mozarela. Parte é a inflação: o queijo está bem mais barato do que há um ano, mas muitos outros itens da cesta de compras subiram. A distinção importa: os preços caem porque a demanda não consegue acompanhar o crescimento da produção, e não porque as pessoas estejam comendo menos queijo.
Os Estados Unidos são os que mais pesam sobre o mercado global. As fábricas mantêm os tanques de fabricação cheios para aproveitar os preços muito altos do soro de leite, e o queijo começa a parecer o subproduto. Os estoques de queijo dos EUA subiram em agosto, na contramão da sazonalidade, para 1,44 bilhão de libras, alta de 2,3% em relação ao ano anterior, mesmo com as exportações em níveis recordes. A mozarela tem o maior crescimento de produção entre todos os tipos de queijo dos EUA, alta de 2,9% na comparação anual, contra 2,1% para todos os tipos somados.
Essa oferta americana dificulta a vida dos vendedores europeus. O Cheddar dos EUA é negociado com um desconto amplo, de cerca de 1.400 USD/mt, em relação ao produto europeu, o que deixa o Cheddar da UE praticamente fora dos mercados de exportação por preço. As exportações de mozarela da UE também ficam aquém das expectativas, com o preço americano cerca de 800 USD/mt abaixo do nível da UE. Na Europa, a mozarela lidera o enfraquecimento agora que a demanda de verão passou e o food service compra menos diante da inflação alta. O Cheddar da UE se sustenta melhor, já que a produção de leite sazonalmente menor no Reino Unido e na Irlanda mantém a disponibilidade relativamente apertada.
O Gouda começou a ceder depois de se estabilizar na primeira quinzena de setembro, já que a boa captação de leite encontra compradores que já cobriram a maior parte de suas necessidades do ano. O emental continua acompanhando o mercado de queijos como um todo, com produto abundante do início do ano ainda em oferta.
A perspectiva para o quarto trimestre é de um recuo gradual, e não de uma correção brusca. A análise completa traz o detalhe por variedade, incluindo o que ainda falta a cada mercado para virar.


