Duas das vias por onde a carga entra e sai de Roterdã se estreitaram na mesma semana, e é isso que torna a situação mais do que uma interrupção rotineira.
A Rijkswaterstaat fechou duas faixas da Suurhoffbrug oeste na noite de 16 de setembro, depois que inspetores encontraram rachaduras em uma das vigas principais da ponte. É a ponte da A15 que concentra a maior parte do tráfego de caminhões de e para Maasvlakte, onde ficam a APM, a ECT e os demais terminais de contêineres de longo curso. Todo o tráfego agora divide as faixas restantes e o acostamento, o que, segundo a associação empresarial do porto Deltalinqs, reduz pela metade a capacidade na principal via de acesso. O reparo deve levar de quatro a oito semanas, e a TLN, entidade do transporte rodoviário dos Países Baixos, estima o custo para o setor em 600.000 EUR por dia.
A via fluvial não está melhor. O medidor de referência do Reno em Kaub marcou 16 centímetros na manhã de 21 de setembro, abaixo dos 23 a 24 centímetros da sexta-feira anterior, e ficou perto da mínima recorde de 6 centímetros registrada em 14 de agosto. A operadora de barcaças Optimodal deixou de aceitar novas reservas de contêineres no Reno de e para Roterdã e Antuérpia, e também não consegue transferir a carga para a ferrovia porque não há janelas ferroviárias disponíveis. A Rijkswaterstaat alertou para um possível tráfego em sentido único no trecho superior do IJssel se a menor profundidade sondada cair abaixo de 1,45 metro.
O custo rodoviário também sobe neste mesmo período. As sobretaxas de combustível para os Países Baixos e a Bélgica foram a um recorde de 28% nesta semana, ante 25%, patamar em que haviam ficado estáveis por quatro semanas, com o diesel de volta a 2,282 EUR por litro depois de recuar para 2,133 EUR. São duas semanas seguidas de alta, e não um movimento isolado.
Nas rotas de longo curso, a pressão tem mais a ver com prazos do que com capacidade. A Autoridade do Canal do Panamá adiou o corte de calado que havia planejado para 1º de outubro, de modo que os navios podem continuar carregando até 14,63 metros, mas as travessias diárias caíram de 36 para 32, com os maiores navios limitados a nove vagas por dia. Na rota Ásia-Europa, os fretes de Xangai para Roterdã seguem em queda, com navios operando com menos de 80% da capacidade, e o acúmulo causado por tufões está gerando atrasos de atracação de até dez dias em Xangai e Ningbo. Essa folga se inverte rápido: a China para no feriado da Golden Week de 1º a 7 de outubro, a MSC cancelou várias saídas Ásia-Europa nas semanas 39 a 41, e o espaço nas semanas imediatamente anteriores ao feriado é o primeiro a acabar. A atualização de fretes da Shypple traz o detalhamento completo por rota.


