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O déficit de importação de açúcar da Europa é maior do que as cotas conseguem cobrir

Só cerca de 766.000 dos 2,4 milhões de toneladas de volume de importação elegível de açúcar da UE devem chegar aos preços atuais, deixando um déficit real.

Roger Bradshaw
Roger BradshawAnalista de açúcar e soft commodities
23 de setembro de 20263 min de leitura

A Europa vai ficar com falta de açúcar nesta safra e, aos preços de hoje, a conta para cobrir esse déficit não fecha. No papel, a UE tem cerca de 2,41 milhões de toneladas de volume de importação elegível entre as cotas CXL, os Bálcãs, outras cotas tarifárias e os regimes EBA e EPA. Comparado aos preços atuais na UE e ao contrato nº 11 de Nova York, o volume que deve de fato chegar gira em torno de 766.000 toneladas. As importações de açúcar bruto sob o regime de aperfeiçoamento ativo estão suspensas, o que elimina outra rota, e a América Central enfrenta uma seca própria, de modo que a disponibilidade de lá dificilmente será alta. Os preços internos da UE terão de subir consideravelmente para atrair o restante.

A safra por trás desse déficit é menor por dois motivos distintos, e só um deles é o clima. A produtividade está de fato ruim em partes da Europa Ocidental: da região de Paris para o sul, parece catastrófica, e os produtores já foram orientados a deixar sem colher pelo menos 20.000 hectares. França, Reino Unido e sul da Alemanha relatam perdas de até 30%, embora a comparação seja com um 2025 excepcionalmente bom, e a maioria dos países deve fechar perto da sua média de cinco anos. A usina da Cosun em Anklam, no extremo nordeste da Alemanha, espera de 87 a 88 toneladas por hectare. O fator de maior peso é a decisão, tomada antes de tudo isso, de cortar a área plantada em 15% a 25% para a safra. A Polônia é a exceção, com uma estimativa de 2,2 milhões de toneladas de açúcar, ante 2,6 milhões no ano passado.

Ao mesmo tempo, o custo de produção está subindo. O contrato de gás TTF de Roterdã para novembro de 2026 acumula alta de pouco menos de 140% em relação ao mesmo período do ano passado, o que passa direto para os fertilizantes à base de amônia. O diesel segue o mesmo caminho: as exportações somadas da Rússia e dos países do Golfo Pérsico caíram de 2,2 milhões de barris por dia há um ano para 520.000, e as margens de refino 3-2-1 (crack spreads) atingiram a máxima histórica de 65 USD/barril, enquanto as refinarias enfrentam limites físicos rígidos para elevar o rendimento de diesel. Fora barcaças e ferrovias, isso recai sobre todo o restante da rede de transporte.

A próxima safra já está sendo negociada nessa base. A Cosun vai voltar a 100% das áreas contratadas com os agricultores, depois de um corte de 10% em 2026. A Nordic Sugar fechou contratos suecos para 2027 equivalentes a 250.000 toneladas de açúcar branco a um preço fixo da beterraba de 29,7 EUR por tonelada, e a procura dos produtores superou o volume oferecido. No Reino Unido, a British Sugar e a National Farmers Union não chegaram a um acordo sobre o preço da beterraba para 2027, e a questão foi levada a um tribunal independente. A análise de açúcar europeu da Vesper mostra como fica o balanço de oferta e demanda.