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Entrega do açúcar branco de outubro fica em um terço da do ano passado

Pouco menos de 500.000 toneladas foram entregues contra o branco de outubro em Londres, ante mais de 1,5 milhão um ano antes, com os fundos comprados.

Justine Rayne White
Justine Rayne WhiteAnalista de cacau e chocolate
17 de setembro de 20262 min de leitura

O contrato de açúcar branco de outubro em Londres expirou com pouco menos de 500.000 toneladas entregues, à espera da confirmação final da bolsa. O mesmo vencimento um ano antes movimentou mais de 1,5 milhão de toneladas. O mercado físico que apareceu contra o vencimento neste outubro foi uma fração do que apareceu em 2025.

Os preços recuaram das máximas sem devolver muito. O açúcar bruto no NY11 chegou a 18,73 centavos de dólar por libra-peso, nível visto pela última vez no primeiro trimestre de 2025, antes de ceder para 17,94 centavos no contrato de outubro em 15 de setembro. O branco de Londres para dezembro subiu a 522 USD/mt. Os produtores aproveitaram as máximas para se proteger, e esse hedge é o freio habitual em um movimento como esse.

O dinheiro especulativo foi na direção oposta. Na atualização da CFTC referente à semana encerrada em 8 de setembro, os especuladores em açúcar na ICE ampliaram a posição líquida comprada em 33.676 contratos, para 106.116 lotes, patamar visto pela última vez em 2023. É uma posição comprada grande para carregar em um mercado cujos fundamentos ainda estão sendo escritos.

O que sustenta essa aposta é o lado da oferta. A DG AGRI projeta a produção europeia em 13,4 milhões de toneladas em 2026/27, quase 20% abaixo da safra passada, com os estoques finais caindo de 3,06 para 2,32 milhões de toneladas. A Thai Sugar Millers Corporation coloca a produção de 2026/27 abaixo de 10 milhões de toneladas, contra 12 milhões na safra passada, por conta da seca no nordeste do país e da melhor rentabilidade da mandioca. No Brasil, a moagem de cana está um pouco acima da do ano passado, mas a produção de açúcar não, e as exportações de agosto caíram 28% ano a ano, para 2,697 milhões de toneladas.

A energia puxa na mesma direção. O petróleo bruto voltou a 100 USD/barril depois de um ataque apoiado pelo Irã ao oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, com a navegação pelo Estreito de Ormuz ainda restrita. Petróleo caro melhora a paridade do etanol e desvia cana da produção de açúcar. O etanol hidratado em São Paulo foi cotado a 0,4821 USD por litro na atualização do CEPEA até 11 de setembro, alta de 3,19% na semana e de 20% desde o início de agosto.

Por trás de tudo isso está a leitura mais recente da WMO, que vê o El Niño atual se intensificando e se estendendo pelo menos até fevereiro de 2027. A análise global de açúcar da Vesper detalha o que isso faz com o balanço daqui em diante.