Os estoques europeus de gás chegaram a 68% em 12 de setembro, ante uma média de 84% para este ponto do ano. Estoques baixos deixam a região exposta a choques de preço durante todo o pico da demanda de inverno, e os preços do TTF já atingiram máximas de três anos. Uma onda de frio forte ou uma queda da geração renovável elevariam a demanda de gás diante de uma oferta que já está apertada.
A diferença não está distribuída de forma uniforme. Alemanha e Países Baixos devem ficar abaixo de suas metas, enquanto Espanha, Itália e França se saem melhor, uma divergência que pode se estender à formação de preços de energia elétrica no inverno, ao lado da geração renovável e da capacidade nuclear francesa. A operadora de rede neerlandesa Gasunie alertou que o país está “insuficientemente preparado” para um inverno especialmente rigoroso. Os modelos atuais apontam para um inverno ameno. Os fluxos do Catar estão ainda interrompidos. Enquanto isso, Europa e Ásia disputam as mesmas cargas de gás natural liquefeito dos Estados Unidos.
O petróleo bruto voltou a cerca de 100 USD/barril, com o conflito no Oriente Médio em uma nova fase de escalada. Ataques de drones forçaram o fechamento do oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, que transporta 7 milhões de barris por dia e havia se tornado uma rota crítica por contornar o Estreito de Ormuz. Os fluxos por Ormuz ainda não se recuperaram, e uma reunião entre o Irã e vários países do Golfo para viabilizar um corredor marítimo seguro foi adiada. A China voltou ao mercado depois de meses ausente e está elevando os preços dos petróleos africano, canadense e latino-americano, embora estoques domésticos estimados em cerca de 1 bilhão de barris devam limitar suas compras nesses níveis.
O diesel é a parte que chega mais rápido às cadeias de suprimento de alimentos. A Bloomberg estima que ele responda por quase 30% da demanda total de petróleo, e fica entre o impasse dos Estados Unidos com o Irã de um lado e a menor produção das refinarias russas do outro. Os preços seguem perto de níveis recordes, sem solução à vista em nenhuma das duas frentes, e o efeito imediato é amplamente inflacionário.
Os bancos centrais acompanham o movimento. O Banco Central Europeu elevou os juros da zona do euro em 25 pontos-base neste mês, a segunda alta desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, com a inflação em 3,3% na comparação anual em agosto. Excluindo alimentos e energia, o número cai para 2,4%, o que sugere que o alívio mais amplo deve vir com razoável rapidez assim que os preços da energia corrigirem. Nos Estados Unidos, o CPI de agosto ficou em 3,4%, a gasolina passou de cerca de 3,50 USD/galão no início de 2026 para mais de 5 USD, e a confiança do consumidor caiu de 51,7 para 47,8 no início de setembro.
Se algo disso vai se desfazer depende de dois conflitos e de um inverno, e a análise macro da Vesper mostra para onde caminha cada uma dessas pressões.


