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Leite apertado leva processadores a queijo e soro de leite

O leite sazonalmente apertado leva processadores da Europa e dos EUA ao queijo e ao soro de leite, sustentando o creme de leite e o leite em pó desnatado.

Jasper Endlich
Jasper EndlichAnalista de laticínios e óleos
15 de agosto de 20263 min de leitura

Quando a produção de leite desacelera, as opções menos rentáveis são as primeiras a cair. Essa decisão está sendo tomada agora em toda a indústria de laticínios da Europa e dos Estados Unidos, e explica boa parte do que o painel de preços vem mostrando.

No nível da fábrica, a produção sazonalmente menor de leite significa menos volume passando pelas torres de secagem. No nível global, a mesma lógica aparece como aumento da produção de queijo e de soro de leite e queda da produção de leite em pó desnatado. O leite mais apertado se traduz diretamente em preços mais altos do creme de leite e do concentrado de leite desnatado, o que, por sua vez, reduz a produção de manteiga e de leite em pó desnatado.

A leitura da Vesper é que esse aperto é passageiro, e não um novo patamar. A Europa e os EUA têm rebanhos leiteiros grandes e uma margem estreita, mas positiva, para o produtor, enquanto a Nova Zelândia e a América Latina aumentam a produção sazonalmente com margens boas. A produção de leite ao longo de setembro e outubro é o que vai definir a questão. Até lá, a expectativa é de produção alta de queijo, estoques fartos de manteiga e um mercado de leite em pó desnatado um pouco mais apertado.

O excedente mais claro está na manteiga

A manteiga é o caso mais evidente. Volumes altos de leite com bom teor de gordura levaram a produção europeia de manteiga a novos recordes nos últimos dois anos, e os estoques estão no nível mais alto em mais de uma década. A produção de gordura do leite nos EUA segue crescendo de forma constante, entre 2% e 3% ano a ano, o que mantém a produção de manteiga forte e a necessidade de exportar alta. A Nova Zelândia não tem nem os estoques nem o forte aumento de produção vistos na Europa e nos EUA, mas ainda assim vem baixando os preços para acompanhar a concorrência. Os preços da manteiga subiram levemente junto com o creme de leite, embora nada tenha mudado nos fundamentos, e a Vesper espera que o mercado siga fraco no restante do ano.

Leite em pó desnatado e integral firmam com o leite desnatado mais apertado

O leite em pó desnatado tem o vento a favor. O leite desnatado está relativamente apertado e caro na UE e nos EUA, enquanto a demanda de exportação segue boa no mundo todo: no primeiro semestre, as importações do Sudeste Asiático subiram 8,14%, ou 30.000 toneladas, ano a ano. Nos EUA, mais leite está indo para o leite escolar e para o leite ultrafiltrado em vez das torres de secagem, enquanto a produção total cai sazonalmente. A notícia de que os secadores não estão rodando a plena capacidade elevou as cotações do NFDM no painel spot da CME em 400 USD/mt em duas semanas. Na Europa, o leite spot barato que havia no segundo trimestre acabou.

O leite em pó integral firmou por razões parecidas, com o mercado europeu tranquilo e de volta à produção sob encomenda. A Nova Zelândia ofereceu mais volume nos últimos leilões do GDT, e compradores do Oriente Médio e da Ásia levaram a maior parte a preços um pouco mais altos.

A análise completa detalha onde cada produto está e o que a curva do leite no quarto trimestre faz com cada um deles.

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