Os preços dos grãos subiram com força nas últimas duas semanas, e o motivo é o mesmo em todos os contratos: ninguém mais espera que o mar Negro reabra tão cedo.
O trigo para moagem da MATIF com vencimento em setembro subiu de 223 para 245 EUR/mt em duas semanas. O trigo de inverno HRW da CBOT saltou de 743 para 826 centavos por bushel, e o SRW, de 665 para 764. O milho da MATIF com vencimento em novembro atingiu uma máxima de vários anos, a 275 EUR/mt, enquanto o milho da CBOT subiu de 463 para 521 centavos por bushel.
Os preços chegaram a ceder no início da semana passada, quando a Turquia disse que preparou um plano de passagem segura para cargas agrícolas pelo mar Negro e o comunicou à Ucrânia e à Rússia. O efeito se dissipou rapidamente. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grushko, afirmou que não há fundamento para a retomada da Iniciativa de Grãos do Mar Negro, citando o descumprimento das condições do acordo anterior. A infraestrutura portuária dos dois países sofreu danos graves, e as autoridades de cada lado dizem que os reparos em determinados terminais vão levar meses.
Os fluxos comerciais mostram o que isso significa na prática. No Egito, maior importador mundial de trigo, as chegadas caíram 75,4% na comparação anual, para cerca de 480.000 toneladas no acumulado de julho e agosto. Os compradores egípcios já buscam alternativas, entre elas cerca de 60.000 toneladas de trigo francês com embarque previsto para o fim de agosto. Em Sulina, na fronteira entre a Ucrânia e a Romênia, um grande número de navios ainda espera para entrar no Danúbio, e já foram relatadas algumas quebras de contrato envolvendo cargas destinadas ao Egito.
A cevada acompanhou a alta do trigo e do milho. Rússia e Ucrânia respondem juntas por 17% das exportações globais de cevada, e a safra mundial historicamente boa de 152,5 milhões de toneladas prevista pelo IGC atenua apenas em parte o problema logístico.
O milho enfrenta um problema adicional. Em um mês, a Comissão Europeia cortou a sua previsão para a safra de milho da UE em 2026/27 de 51,9 para 50,1 milhões de toneladas, bem abaixo dos 60,2 milhões registrados em 2025/26, e elevou as importações esperadas para 25,0 milhões de toneladas. As condições das lavouras americanas também estão piorando: em 23 de agosto, 57% da área estava classificada como boa ou excelente, abaixo dos 59% esperados, dos 71% do ano passado e da média de cinco anos, de 62%.
A visão da Vesper para o terceiro trimestre fica entre lateral e altista nos três grãos. O redirecionamento das rotas resolve apenas em parte o problema em uma região que historicamente movimentou 30% do comércio mundial de trigo, e parte dos participantes do mercado avalia que a interrupção ainda está sendo subestimada.


