O trigo para moagem da MATIF recuou de 243 para 223 EUR/mt em duas semanas, e o trigo da CBOT seguiu o mesmo caminho: o SRW caiu de 705 para 642 centavos por bushel, e o HRW, de 763 para 713. O recuo veio à medida que os operadores de trigo encontravam algum alívio na queda do petróleo bruto Brent e em uma declaração ucraniana e russa de que rotas de exportação e modais de transporte alternativos manterão os volumes em movimento apesar do aumento das hostilidades no mar Negro. Esse alívio tem limites. A atividade de exportação pelo próprio mar Negro segue baixa, e ainda não há prova de que os volumes alternativos estejam de fato chegando aos mercados internacionais. A SovEcon, consultoria russa, cortou em 1,9 milhão de toneladas a sua previsão para as exportações russas de trigo em 2026/27, para 44,6 milhões.
As perspectivas de safra da própria Europa enfraqueceram no mesmo período. A Comissão Europeia reduziu a sua previsão para a safra de trigo mole da UE em 2026/27 para 124,4 milhões de toneladas, abaixo tanto da estimativa do mês anterior quanto da temporada passada, enquanto o monitor de safras MARS reduziu levemente a previsão de produtividade na UE depois que o calor encurtou o enchimento de grãos na França e na Alemanha.
O milho tomou rumos opostos nos dois lados do Atlântico. O milho da MATIF cedeu de 260 para 250 EUR/mt, com a melhora do clima nos Estados Unidos e um panorama brasileiro melhor, e a AgRural elevou a previsão para a safra brasileira de milho 2025/26 por conta do avanço mais forte da segunda safra. O milho da CBOT foi na direção oposta e subiu de 411 para 443 centavos por bushel, depois que o USDA reduziu pela terceira semana seguida as notas de condição das lavouras americanas, após o clima quente e seco no Meio-Oeste. Desde então chegou chuva favorável, mas o mercado reagiu primeiro ao estresse anterior. As perspectivas europeias para o milho se deterioraram com força: a Comissão Europeia cortou em 8 milhões de toneladas a sua previsão de safra 2026/27, e as notas das lavouras francesas de milho caíram para 34% de boa a excelente, contra 69% um ano antes.
A cevada ficou praticamente estável, com o subíndice do IGC inalterado, mesmo com a Comissão Europeia reduzindo levemente a previsão de safra na UE e com a Ucrânia elevando as suas próprias perspectivas de produção e exportação diante de produtividades acima do esperado.
A soja foi a que caiu mais: a soja da CBOT recuou de 1.230 para 1.159 centavos por bushel, com a melhora das chuvas no Meio-Oeste americano e a forte queda do petróleo pesando sobre os preços, mesmo depois de estatais chinesas terem comprado de 14 a 16 cargas de soja americana. O humor do mercado seguiu baixista diante de relatos de que a China pode suspender novas compras de soja americana até que as tensões tarifárias diminuam.
A leitura dos analistas para todo o complexo é que boa parte das notícias ruins já está precificada no risco do mar Negro e que, sem uma solução de fato, os preços podem voltar a subir rapidamente se as hostilidades escalarem ainda mais.
Este artigo faz parte de uma análise de mercado mais ampla da Vesper sobre o mercado global de grãos. Para ver a análise completa, acesse: https://app.vespertool.com/market-analysis/3304


