O mercado de lácteos está sendo puxado em duas direções ao mesmo tempo. A manteiga segue presa a um excedente persistente na Europa, nos EUA e na Nova Zelândia, com as três regiões produzindo mais do que conseguem vender no mercado interno, enquanto o leite em pó desnatado foi na direção oposta e está apertando rápido, com a demanda por proteína crescendo mais do que a oferta.
Os preços da manteiga caíram cerca de 40% no último ano, e há pouca razão para esperar uma reversão rápida. A produção subiu em todas as grandes regiões, os estoques em câmara fria nos EUA estão se aproximando dos níveis do ano passado, e a produção de leite da Nova Zelândia mantém ampla a disponibilidade de manteiga mesmo com a demanda saudável vinda da Ásia. Uma alta breve dos preços europeus do creme de leite elevou recentemente o custo de produzir manteiga fresca, mas, com tanta manteiga parada em estoque abaixo desse nível, o mercado seguiu limitado. O ponto a acompanhar é a manteiga fresca, que pode ficar um pouco mais firme do que a congelada, mas o quadro mais amplo entre as regiões é de estabilidade em um patamar baixo.
A proteína seguiu o caminho inverso. O leite em pó desnatado subiu entre cerca de um terço e mais de 40% no mesmo período, dependendo da região, com as pressões de oferta e de demanda chegando ao mesmo tempo. As torres de secagem nos EUA estão ficando sem matéria-prima, com mais leite sendo desviado para outros produtos proteicos, como MPC, leite ultrafiltrado e leite condensado, em vez de leite em pó desnatado. Isso colocou os preços americanos bem acima do resto do mundo. A Europa também tem a sua própria pressão de oferta: a produção de leite cru recuou com as temperaturas mais altas, e a margem entre o concentrado de leite desnatado e o leite em pó desnatado praticamente desapareceu. Os compradores, avaliando que os preços só devem subir daqui em diante, entraram no mercado em peso para garantir cobertura, embora ainda esteja em aberto se a oferta de leite por trás disso está de fato apertada.
O leite em pó integral fica no meio do caminho. Os preços globais estão um pouco mais firmes, e o leite em pó integral da Nova Zelândia hoje é negociado perto da paridade com o leite em pó desnatado, uma configuração incomum que reflete mais a demanda forte por leite em pó desnatado do que qualquer melhora na demanda pelo integral em si. O produto europeu segue com um prêmio, mas isso tem menos a ver com os compradores quererem leite em pó integral e mais com os produtores preferirem fabricar manteiga e leite em pó desnatado.
A pergunta maior é o que tudo isso significa para o leite em si. Os volumes de produção dos próximos três meses devem definir onde o mercado de lácteos como um todo vai parar, e o que acontecer agora com a remuneração da proteína pode moldar a economia do setor por muito tempo.


