A pimenta vermelha passou toda a segunda metade de agosto travada perto de 253 USD por quintal (100 kg). Na primeira semana de setembro, o tipo Delhi 334 subiu 39,85 USD, cerca de 16%, até 293,65 USD por quintal em cerca de uma semana, sustentou esse nível até 8 de setembro e depois se acomodou numa faixa de 272,68 a 293,65 USD entre os dias 9 e 11.
O próprio setor explicou o movimento pela melhora de qualidade somada a uma retomada real do interesse comprador, e não por um evento isolado. Por baixo disso está a monção de Andhra Pradesh, que ficou perto de 40% abaixo do normal durante toda a janela de plantio e que o relatório de especiarias da Vesper aponta como o motor provável da alta. As chegadas se mantiveram estáveis, algo entre 40.000 e 45.000 sacas em Guntur e cerca de 20.000 em Warangal, ou seja, esta não foi uma história de chegadas, e a demanda exportadora esteve claramente ausente mesmo enquanto a alta corria. As cotações na origem, em Guntur, mostram a dispersão de qualidade que chega ao mercado: o tipo 334 ficou entre 209,75 e 272,68 USD por quintal, o Teja entre 230,73 e 251,05 USD e o Fatki entre 136,34 e 157,32 USD.
O maior fato de oferta da quinzena veio do Nepal. A safra local de cardamomo grande está estimada 35% a 36% maior graças ao clima favorável, com qualidade descrita como forte, e isso recai diretamente sobre os preços indianos porque o cinturão de Gangtok e Siliguri cobre apenas cerca de 37% do consumo interno. O Kanchicut caiu da sua faixa de abertura de 16,57 a 16,62 USD por quilo para menos de 15,73 USD em 11 de setembro, antes de se estabilizar entre 16,05 e 16,15 USD até 13 de setembro, com o mercado falando em 14,68 USD até o Diwali. O cardamomo pequeno pareceu mais firme: o Delhi 7.5mm voltou a fechar a 29,89 USD por quilo e os preços de leilão seguraram uma faixa estreita de 32 a 33 USD, enquanto as chegadas caíram de 78.122 kg para 30.527 kg ao longo de quatro pregões, o que sugere que a onda de safra nova que pressionou o mercado em agosto pode estar perdendo força.
A pimenta-do-reino não se mexeu nada. Mercura ficou em 8,02 USD por quilo nos dias 1, 6, 7, 10 e 13 de setembro, a sexta semana seguida sem variação líquida confirmada. O que há de novo é o motivo de o teto parecer menos sólido. Os preços do Sri Lanka começaram a subir, puxados pela demanda importadora indiana, o que reduz a pressão de importação barata que vinha limitando os preços indianos desde a primavera no hemisfério norte. A produção indiana de 2026 está agora estimada entre 65.000 e 75.000 toneladas, com risco de baixa se os efeitos do El Niño continuarem, e a Índia já negocia com prêmio, perto de 7.800 USD por tonelada contra 6.900 USD do Sri Lanka, 6.000 USD do Vietnã e 5.800 USD do Brasil.
Se a pimenta vai sustentar o novo patamar na reta do Diwali é a pergunta em aberto, e o relatório quinzenal de especiarias da Vesper acompanha isso quinzena a quinzena.


