Grãos e raçõesÍndiaAustráliaSri Lanka

Basmati sobe com quebra de 40% na safra kharif

Os preços do basmati na Índia subiram em agosto com a safra kharif cerca de 40% abaixo do normal e beneficiadoras e mandis quase sem arroz com casca antigo.

Gehrman Kosenkov
Gehrman KosenkovAnalista de óleos e gorduras vegetais
2 de setembro de 20263 min de leitura

Quem deu o tom nesta quinzena foi o mercado físico. O arroz indiano 1509 Sela, o basmati parboilizado, abriu agosto a 89,05 USD por quintal (100 kg), ficou perto de 93 USD em meados do mês e avançou para 98,33 a 99,37 USD no fechamento, uma alta de cerca de 11% sustentada ao longo de quatro semanas. O 1401 Steam, o basmati vaporizado, mais fino, saiu da faixa de 99,37 a 101,46 USD para 104,60 a 105,65 USD na mesma janela.

O motivo se repete em quase todos os boletins. Estima-se que a produção kharif, a safra semeada na estação das monções, tenha ficado 40% abaixo do normal em Madhya Pradesh, no leste de Uttar Pradesh, em Bihar e no Punjab, por causa do excesso de chuva e das enchentes. As beneficiadoras e os mandis, os mercados atacadistas regulados da Índia, quase não têm mais arroz com casca antigo nem basmati beneficiado, e os exportadores com contratos de embarque de agosto e setembro ainda em aberto seguiram comprando independentemente do preço. Um boletim apontou um potencial de alta adicional de pelo menos 0,10 USD por quilo, algo em torno de 10 USD por quintal, e acrescentou que não há garantia de que as beneficiadoras consigam sequer comprar arroz com casca suficiente para cumprir os contratos que já assinaram. Vale notar que levantamentos separados de agosto cotaram o 1509 Sela novo de origem Sathi entre 85,77 e 86,82 USD, um subtipo mais barato, que não deve ser comparado ao tipo padrão.

Além dos preços, a Índia perdeu uma disputa de marca que se arrastava havia anos. Em 12 de agosto, o Tribunal Federal da Austrália negou provimento ao recurso em que a APEDA, a autoridade indiana de promoção das exportações de produtos agrícolas e alimentos processados, pedia o registro de Basmati como marca de certificação no país. O tribunal manteve a recusa de 2022 e condenou a APEDA ao pagamento das custas. Vale ser preciso sobre o alcance dessa decisão, porque parte da cobertura setorial exagerou. O tribunal não se pronunciou sobre a origem geográfica do basmati, não impede as exportações indianas para a Austrália e não proíbe os exportadores indianos de vender lá. O que ele concluiu é mais restrito: a palavra não pode funcionar como marca de certificação na lei australiana porque não distingue o arroz certificado pela APEDA do basmati legitimamente cultivado em outros lugares, o Paquistão incluído. A Nova Zelândia chegou à mesma conclusão em 2024, e o Quênia antes disso. A Índia ainda pode recorrer à High Court da Austrália.

No mercado interno, as notícias são melhores. O déficit de plantio de arroz em Gujarat, que chegou a 34% em julho, praticamente desapareceu. Os dados estaduais até 24 de agosto mostram 880.150 hectares transplantados contra 891.662 no mesmo ponto do ano passado, uma diferença de 1,29%, e 0,94% abaixo da média de três anos do próprio estado. O centro e o sul de Gujarat estão perto do normal, e Saurashtra segue como a região atrasada.

Duas questões de prazo mais longo estão por trás de tudo isso. O Sri Lanka aprovou o beneficiamento de 30.000 toneladas de arroz com casca das reservas do Paddy Marketing Board, o órgão estatal de comercialização de arroz, para reforçar a oferta interna. E o crescimento da produtividade na Índia desacelerou com força, de uma melhora anual de 9,4% em 2001/02 para apenas 0,5% em 2025/26, com a produtividade média travada perto de 2.915 quilos por hectare e a área com híbridos ainda em apenas 7% a 8% da lavoura.