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A seca na beterraba açucareira europeia empurra os compradores para as importações

A seca inviabilizou a beterraba açucareira em partes da Europa, e a Vesper estima em 3,4 milhões de toneladas o açúcar que UE e Reino Unido devem importar.

Roger Bradshaw
Roger BradshawAnalista de açúcar e soft commodities
24 de agosto de 20262 min de leitura

A associação de produtores de beterraba açucareira do sul da Alemanha, a VSZ, já espera uma quebra de safra histórica, com alguns produtores diante de uma perda total. Regiões especialmente atingidas, entre elas a área do Reno-Meno, Baden-Württemberg e a Francônia, não vão gerar praticamente nenhuma produção comercializável. O quadro na França é igualmente sombrio, e o do Reino Unido não é melhor: lavouras visitadas neste mês em Suffolk mostraram baixa densidade de plantas e beterrabas de calibre insuficiente, com o custo de colheita de alguns talhões já superando qualquer retorno. A Cosun, nos Países Baixos, adiou em uma semana o início da sua safra, na esperança de alguma melhora. A Itália já começou em Minerbio, em 20 de agosto.

A dimensão do déficit está empurrando a região para importações de que ela não precisava havia anos. Considerando uma safra de beterraba na UE e no Reino Unido de no máximo 14,1 milhões de toneladas, a Vesper estima que a região precisaria de cerca de 3,4 milhões de toneladas de importações para atender à demanda, tomando o açúcar VHP brasileiro sob os acordos comerciais Mercosul e CXL como valor de reposição de referência. A Ucrânia já começou a pressionar por um acesso maior. O Reino Unido parece razoavelmente bem posicionado no papel, com uma cota tarifária autônoma de 325.000 toneladas mais uma cota de livre comércio com a Austrália ainda não utilizada, de 140.000 toneladas para o restante de 2026 e de 160.000 toneladas em 2027, ainda que o açúcar australiano venha com prêmio sobre as demais origens por conta do frete e da formação de preços no Extremo Oriente.

Os grandes compradores pan-europeus estão, por ora, amplamente cobertos a preços próximos dos níveis atuais de mercado; os de médio porte estão cobertos apenas pela metade, e é aí que deve se concentrar a maior parte da nova demanda por importações. Também é plausível que a Comissão Europeia flexibilize as suas regras de aperfeiçoamento ativo quando a suspensão atual chegar à revisão semestral prevista para novembro, um passo que aliviaria a pressão de oferta no curto prazo, mas em nada ajudaria no problema de mais longo prazo: uma região cujos produtores precisam cada vez mais de previsibilidade plurianual de preços para justificar o investimento em infraestrutura de irrigação, cuja instalação custa cerca de 25.000 EUR por hectare.

Para as processadoras, mais importações e preços mais altos não vão significar necessariamente uma volta à lucratividade. O açúcar é precificado por volume, e a produção menor, somada a custos de extração mais altos com beterrabas menores e estressadas pela seca, deve pesar mais do que o benefício de preços mais firmes para o que resta da safra deste ano.