Duas safras seguem em direções opostas. O relatório de agosto da Global Trading sobre nozes e castanhas traz uma safra de nozes-macadâmia grande o bastante para pressionar os preços e uma colheita de amêndoas que começou entregando calibre menor do que o mercado esperava.
Uma safra maior de macadâmia que a demanda não absorve
A safra de macadâmia de 2026 está estimada entre 11% e 12% acima da de 2025, algo como 45.000 a 50.000 toneladas a mais de noz com casca. Os preços estão pressionados, e o problema é que preços de prateleira mais baixos não estão puxando a demanda. Parte disso é herança do ano passado: os preços de varejo nos Estados Unidos ainda embutem, em alguns casos, as tarifas de importação que precisaram ser pagas na época. Essas tarifas já não existem, e isso deve chegar à prateleira em algum momento. A Global Trading também aponta que a tarifa de importação dos Estados Unidos sobre o produto pasteurizado fica entre 10% e 15%, o suficiente para que os compradores provavelmente voltem ao produto não pasteurizado e o pasteurizem no próprio processo antes de embalar, uma vez que a torra por si só cumpre a etapa letal. Os compradores estão cobrindo apenas dois a três meses à frente.
As amêndoas, em contrapartida, estão firmando. A colheita está em pleno andamento e as primeiras amêndoas que chegam são menores do que o esperado, sobretudo na variedade Nonpareil. Somado aos números de exportação de julho, 3,3% acima de 2025, isso pressiona os preços para cima. O estoque de passagem é limitado e está concentrado nas variedades e qualidades menos interessantes, o que deixa pouca folga.
Castanha-de-caju parada, e um mercado que segue rumo ao leste
A castanha-de-caju está parada, mas a Global Trading não lê isso como fraqueza. A demanda está fraca no momento e os preços cederam cerca de dois centavos à medida que as processadoras tentam despertar interesse. A oferta de castanha-de-caju in natura da África Ocidental já está embarcada rumo ao Vietnã ou parada em fábricas africanas, e a conta indica que a disponibilidade é apenas suficiente para chegar até a nova safra do Hemisfério Sul. A recomendação da Global Trading é manter a cobertura até o primeiro trimestre de 2027, e a empresa não espera preços mais baixos nos próximos meses.
O arco mais longo do mercado de castanha-de-caju merece nota ao lado dos números do momento. O processamento saiu de Moçambique nos anos 1970 para a Índia nos anos 1980 e para o Vietnã nos anos 1990, e nos últimos cinco a dez anos a capacidade africana de processamento cresceu a ponto de dar conta de cerca de metade da produção africana. A demanda também se deslocou. Índia, Estados Unidos e Europa eram os motores, mas o consumo chinês cresceu rápido nos últimos cinco anos, já superou tanto os Estados Unidos quanto a Europa e deve se tornar o maior em breve. As processadoras estão seguindo essa demanda, onde as exigências de certificação são mais brandas e os preços tendem a ser melhores.
O relatório completo traz as tabelas de safra por origem.
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