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Entradas em confinamento nos EUA caem 11% e prejuízos se aprofundam

As entradas em confinamento nos EUA somaram 1,42 milhão de cabeças em julho, bem abaixo de todas as projeções, com prejuízo de 300 a 400 USD por cabeça.

Megan Hidden
Megan HiddenCoordenadora de marketing
2 de setembro de 20263 min de leitura

O relatório Cattle on Feed apontou 1,42 milhão de cabeças colocadas em confinamento em julho, em unidades com capacidade para 1.000 cabeças ou mais, queda de 11% na comparação anual. O número ficou abaixo de todas as projeções: a estimativa média dos analistas apurada pela Bloomberg indicava recuo de 6,2%, e a LEAP Market Analytics havia previsto 4,0%. As entradas também ficaram 164.000 cabeças abaixo da estimativa que o modelo da LEAP implicava para os bovinos de recria de reposição disponíveis no mês, a maior diferença desde novembro do ano passado.

O quadro financeiro por trás desse número é o que importa. Os confinamentos já acumulam prejuízos de caixa de pelo menos 300 a 400 USD por cabeça, e a LEAP espera que isso se amplie para 500 a 600 USD até o fim do ano, a menos que o mercado de boi gordo se recupere em breve. Os confinadores tiveram alguns períodos lucrativos neste ano, mas a tendência desde o outono passado no Hemisfério Norte tem sido negativa.

A isso agora se soma a ração. A LEAP vem apontando há algum tempo o milho como uma ameaça para os compradores a jusante, e diz que essa ameaça está se concretizando. As notas de condição das lavouras caíram com força no último mês, pesando sobre as perspectivas de produtividade. A LEAP já estava na ponta conservadora, com uma média americana projetada de 178,9 bushels por acre, e a estimativa da Pro Farmer veio ainda mais baixa no encerramento do Crop Tour, com 173,2. Essa estimativa impulsionou os futuros de milho, e todos os contratos listados passaram a ser negociados acima de 5 USD por bushel. A LEAP é mais cautelosa quanto aos fundamentos, mas trabalha com uma média do ano comercial 2026/27 próxima ou pouco acima de 5 USD na média do mercado físico americano, o que implica um pico sazonal de 5,25 a 5,50 USD no fim da primavera ou no início do verão do ano que vem no Hemisfério Norte.

A consequência para a oferta não é a que o número de entradas sugere. As saídas de confinamento seguem muito lentas, e os frigoríficos só agora veem um pequeno alívio de margem no spot, depois que duas das maiores empresas do setor fecharam unidades de abate. Assim, mesmo com as entradas bem abaixo das expectativas, o total de animais em confinamento ainda estava 1,8% acima do ano passado em 1º de agosto. A LEAP vê a alta na comparação anual chegando a 3% a 4% no início de 2027, mesmo que o ritmo das saídas se recupere de forma consistente.

Uma medida de política comercial vai na direção oposta. O governo Trump vai suspender por 90 dias as tarifas extracota sobre a carne bovina moída importada, com a expectativa de que até 661 milhões de libras adicionais entrem nos EUA sem tarifas nessa janela, muito provavelmente vindas do Brasil e da Argentina. A LEAP considera isso um volume relevante para o período e espera alguma pressão baixista sobre o complexo de aparas bovinas com 90% de teor magro. Diante do aperto crescente na oferta de carne bovina de confinamento, isso não muda o rumo do mercado.