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Por que os futuros de cacau oscilam 5% por dia

A volatilidade realizada dos futuros de cacau passou de 90% e oscilações de 5% a 6% ao dia viraram rotina, com liquidez rarefeita e superávit menor em 2026/27.

Martijn Bron
Martijn BronColaborador do mercado de cacau e coapresentador do Strong Source
4 de agosto de 20262 min de leitura

A volatilidade realizada dos futuros de cacau passou de 90% nas últimas semanas, com oscilações diárias de preço de 5% a 6% se tornando a regra, não a exceção. Os futuros de Londres recuperaram quase 10% somente na segunda-feira, uma reversão que praticamente apagou a forte alta registrada na última semana de junho.

O gatilho não é uma notícia isolada. São os spreads amplos entre compra e venda e a liquidez rarefeita, agravados por traders algorítmicos e especuladores de curto prazo que pegam carona no movimento, e pelas bolsas que elevaram as exigências de margem em resposta. A isso se somam sinais contraditórios dos dois lados do mercado. Os relatórios de produção apontam contagens de frutos em melhora, mas ainda fracas, na África Ocidental, enquanto os dados de demanda são igualmente mistos: os volumes de moagem sobem, mas o apetite real dos fabricantes de chocolate segue morno.

Essa tensão apareceu de forma nítida nos números de moagem do segundo trimestre na Europa, que caíram ao menor nível para o trimestre desde 2015, excluídos os anos de pandemia, uma queda mais forte do que os analistas esperavam. A Ásia contou uma história completamente diferente e registrou o maior aumento trimestral de moagem em pelo menos uma década, com a expansão da capacidade de processamento na região. A moagem da própria Costa do Marfim subiu 22% em junho na comparação anual.

Os grandes fabricantes de chocolate reagem tentando se blindar de novas oscilações. A Mondelez afirma que quer se tornar uma “empresa menos dependente de cacau”, apostando em reformulação e até em tecnologia de chocolate cultivado em células, enquanto a Hershey aponta melhor visibilidade sobre contagens de frutos, clima e tendências de fertilizantes como ferramentas para administrar a volatilidade, em vez de tentar acertar o momento do mercado.

A pergunta de verdade está na próxima safra. A perspectiva da NOAA aponta um El Niño em fortalecimento no restante do ano, um padrão que historicamente seca as regiões produtoras da África Ocidental e derruba a produtividade. A StoneX agora estima que o superávit da safra 2026/27 encolha para apenas 25.000 toneladas, bem abaixo das mais de 400.000 toneladas projetadas para a safra atual. Para as equipes de compras que ainda mantêm cobertura relevante em futuros, o recado dos traders é o mesmo há meses: comprar nas quedas quando elas aparecerem, porque um mercado mais calmo não parece próximo.