A produção de frango da UE cresceu de forma constante na última década, e os fatores por trás desse crescimento continuam presentes. A inflação levou os compradores a fontes de proteína mais baratas, com o frango como o grande beneficiado, enquanto a expansão se concentrou em Estados-membros de custo mais baixo, como Polônia, Espanha e Hungria. O que mudou foi a estabilidade dessa oferta. A produção em 2025 e 2026 tem sido bem mais volátil do que em 2023 e 2024, o que desloca o risco de preço das aves da tendência de longo prazo para choques de oferta em países específicos.
A Polônia é o caso mais claro. Sua produção cresceu apoiada em baixo custo de mão de obra, investimentos elevados, integradoras fortes e uma logística de exportação eficiente para a Alemanha e os Países Baixos, mas essa força não trouxe estabilidade. A produção de julho ficou em torno de 200.000 toneladas, ante aproximadamente 250.000 toneladas um ano antes, queda de cerca de 20%. Com um ciclo do frango de corte de aproximadamente seis semanas, uma queda desse tamanho costuma se refletir em preços mais altos em poucas semanas. A produção agora está estável, e a análise da Vesper prevê que os preços poloneses continuem recuando no curto prazo, embora qualquer nova interrupção possa reverter rapidamente esse movimento.
A Espanha é o contraponto. A produção espanhola cresceu com força desde 2022, com volatilidade muito menor. As oscilações vistas em outras partes da UE vieram de três fontes principais: importações ucranianas, detecções de salmonela e focos de gripe aviária. Como não foram anunciadas mudanças nas regras para as importações ucranianas, a gripe aviária passa a ser a principal fonte de volatilidade daqui para a frente.
Por ora, o quadro sanitário está calmo. A Alemanha registrou um foco em uma granja comercial de perus na Baixa Saxônia, já encerrado. A França tem três focos em aberto, incluindo um em uma granja comercial de patos em Maine-et-Loire, e, com as rotas migratórias seguindo para o sul, um agravamento por lá pode chegar à produção espanhola. A doença de Newcastle continua ativa em Castela e Leão, na Espanha, com 21 focos em aberto em granjas comerciais, mas está contida.
Em toda a Europa, os preços se firmaram na maioria dos países nas últimas semanas, embora na comparação semanal tenham cedido nas principais regiões produtoras, o que sugere que a alta está perdendo fôlego. Enquanto a situação sanitária se mantiver, o mercado parece caminhar para um outono e um inverno europeus mais tranquilos que os do ano passado. A análise completa traz o detalhamento por país e por doença.


