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Diesel sobe 26% e puxa o biodiesel após adiamento das negociações sobre Ormuz

O óleo diesel de baixo teor de enxofre subiu 26%, para 1.568 USD/mt, após o adiamento das negociações sobre Ormuz, puxando FAME e HVO; o OCU CIF ARA recuou.

Gehrman Kosenkov
Gehrman KosenkovAnalista de óleos e gorduras vegetais
23 de setembro de 20262 min de leitura

Neste mês, quem ditou o movimento foi a referência fóssil do mercado de energia. O óleo diesel de baixo teor de enxofre chegou a 1.568 USD/mt em 15 de setembro, alta de 26,2% sobre os 1.243 USD/mt da época do relatório anterior, e a maior parte disso veio em dois pregões: o produto fechou a 1.477 USD/mt em 14 de setembro antes de subir mais 6,2% no dia seguinte, quando as negociações previstas para a reabertura do Estreito de Ormuz fracassaram sem nova data definida. Omã receberia o Irã e os países do Golfo. A reunião foi adiada em 14 de setembro, com Irã e Omã citando os acontecimentos no Iêmen, a Arábia Saudita pedindo o adiamento e o Bahrein se recusando a participar sem o restabelecimento das relações diplomáticas com o Irã.

O biodiesel acompanhou. O FAME 0 FOB ARA subiu 14,2% desde o relatório de 28 de agosto, o FAME -10 subiu 10,6% e o UCOME, 6,7%. O HVO avançou mais em alguns casos: o HVO de matéria-prima vegetal ganhou 15,5%, o de óleo de cozinha usado, 7,3%, e o HVO de sebo, 2,9%.

O óleo de cozinha usado (OCU) é o único produto que andou na contramão, com movimentos diferentes conforme a base de entrega. O OCU CIF ARA recuou 9,4%, enquanto o OCU EXW Países Baixos subiu 3,4%. Os fluxos comerciais por trás disso mudam rápido. A China exportou 2.231.305 toneladas de OCU de janeiro a julho, alta de 54,8% na comparação anual, e só em julho o ritmo foi mais que o dobro do de julho do ano passado. As importações dos Estados Unidos de janeiro a julho caíram 23,8% por causa das tarifas sobre o produto chinês, embora a queda tenha diminuído bastante frente aos 40,3% registrados até junho. As importações da União Europeia ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,6% de janeiro a agosto.

A regulação avança mais devagar. A Comissão Europeia pode abandonar as metas nacionais obrigatórias de hidrogênio renovável na próxima Diretiva de Energias Renováveis, optando em vez disso por uma meta indicativa para toda a UE de 8 milhões de toneladas por ano até 2040. A opção preferida permitiria que o hidrogênio eletrolítico de baixo carbono contasse para o cumprimento das metas e que créditos de hidrogênio industrial fossem vendidos a fornecedores de combustíveis para transporte, uma nova via de cumprimento que poderia concorrer diretamente com os créditos de mistura de biocombustíveis. As metas existentes para 2030 e 2035 continuam inalteradas por enquanto. A análise mensal de biodiesel da Vesper detalha o que essa concorrência significaria para a economia da mistura.