Uma conversa com o então Chief Procurement Officer da Unilever

Conversamos com Willem Uijen, então Chief Procurement Officer da Unilever, sobre a gestão de commodities globais e a volatilidade de mercado.

Megan Hidden
Megan HiddenCoordenadora de marketing
Publicado em 30 de setembro de 2024 · Atualizado em 2 de outubro de 20244 min de leitura

Neste episódio revelador do Strong Source Podcast, apresentado por Martijn Bron e Alexander Sterk, conversamos com Willem Uijen, Chief Procurement Officer da Unilever. Willem traz leituras valiosas sobre os desafios e as estratégias de gerenciar commodities globais, e aborda temas centrais como sustentabilidade, segurança de suprimento e convivência com a volatilidade de mercado. Acompanhe uma conversa envolvente com um dos principais líderes do setor de FMCG.

Você está na Unilever há mais de 25 anos, passando por diversos cargos na gestão da cadeia de suprimentos. O que o levou ao seu cargo atual em compras?

Passei a maior parte da minha carreira na cadeia de suprimentos da Unilever, atuando em mercados da América Latina e da Ásia, incluindo México e Índia. Há cerca de dois anos migrei para compras, e tem sido uma jornada empolgante. A gestão da cadeia de suprimentos é profundamente integrada a compras, sobretudo em categorias como cuidados com a casa, em que a exposição a commodities é decisiva para manter as fábricas rodando e sustentar a inovação de produtos. Sempre gostei dessa interação próxima entre cadeia de suprimentos e compras, então a mudança foi uma progressão natural.

Como Chief Procurement Officer da Unilever, você supervisiona uma gama enorme de commodities. Pode contar como seu time gerencia materiais tão diversos, de embalagens a ingredientes alimentícios brutos?

Na Unilever, gerenciamos um gasto de compras de cerca de US$ 40 bilhões por ano, e mais da metade está ligada diretamente a commodities como energia, materiais de embalagem, óleo de palma e laticínios. Nosso time de compras está organizado em grupos de negócio como beleza e bem-estar, nutrição e cuidados com a casa, cada um com seu próprio CPO. Já as commodities que atravessam vários grupos de negócio, como óleo de palma ou logística, são gerenciadas globalmente para garantir consistência e eficiência.

Focamos em duas prioridades centrais: garantir o suprimento e oferecer estabilidade de preço. É essencial estabilizar preços para que o negócio possa investir nas nossas marcas e entregar valor consistente aos consumidores.

Os últimos anos foram marcados por uma volatilidade extrema nos mercados de commodities. Como a Unilever navega essa volatilidade

A volatilidade é sem dúvida um desafio, mas desenvolvemos estratégias para administrá-la. Usamos um sistema que chamamos de “pricing horizon”, que nos permite cobrir o período necessário para dar estabilidade ao negócio. Além disso, nosso time de Commodity Risk Management (CRM) busca oportunidades de assegurar estabilidade de preço no longo prazo. Toda semana revisamos as principais commodities às quais estamos expostos e avaliamos como nossas estratégias se encaixam nas condições de mercado.

A chave está em equilibrar a necessidade de curto prazo de proteger o P&L com o aproveitamento de oportunidades de preços melhores mais à frente.

Sustentabilidade é um foco enorme para a Unilever. Como seu time de compras contribui para as metas de sustentabilidade da companhia?

Sustentabilidade está no centro do que fazemos, especialmente em compras. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa, por exemplo, depende em boa medida dos materiais que compramos, já que mais de 70% das emissões da nossa cadeia de valor vêm de atividades ligadas a compras. Viemos trabalhando para garantir desmatamento zero nas nossas cadeias de suprimento de commodities importantes, como óleo de palma e cacau, usando tecnologia de geolocalização para rastrear e monitorar matérias-primas. Isso ajuda a garantir que os produtos que compramos sejam livres de desmatamento.

A sustentabilidade também move nossa agenda de inovação, já que trabalhamos com fornecedores para desenvolver produtos e embalagens mais sustentáveis. Colaboramos com parceiros, por exemplo, em novos materiais de embalagem e em ingredientes alternativos que reduzem nossa pegada ambiental.

Em termos de tendências de commodities, como você vê o setor evoluindo, sobretudo com a preocupação crescente com sustentabilidade e transparência?

O setor caminha sem dúvida para mais transparência, em especial à medida que consumidores e governos exigem mais prestação de contas nas cadeias de suprimento. Na Unilever, passamos a última década nos preparando para normas como o regulamento europeu contra o desmatamento (EUDR), reforçando nossas práticas de abastecimento. A tecnologia teve papel importante nisso, permitindo monitorar e rastrear commodities até sua origem.

Em termos de volatilidade, acredito que seguiremos vendo oscilações nos preços das commodities, e as empresas que souberem lidar bem com isso terão vantagem competitiva. Para os times de compras, isso significa investir em capacidades como gestão de risco e planejamento estratégico de longo prazo.

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O que é o podcast Strong Source?

Nossa missão com o podcast Strong Source é educar e informar, criando uma comunidade em que especialistas e convidados de toda a indústria de commodities possam compartilhar suas perspectivas únicas. Martijn Bron, ex-trader de cacau, e Alexander Sterk, ex-trader de lácteos e fundador da Vesper, têm uma paixão profunda por este setor, e foi isso que os inspirou a começar esta empreitada: “Vamos compartilhar nossas experiências pessoais, as lições valiosas que aprendemos pelo caminho e dar a você uma prévia do que esperar dos nossos próximos episódios.” Este podcast é apresentado pela Vesper, a principal plataforma de commodities (www.vespertool.com).