A demanda por papelcartão cresceu em maio em todas as regiões acompanhadas pela EMGE, uma reversão para um mercado que passou boa parte do ano em dificuldade. A demanda da Europa Ocidental subiu 3%, contra uma média de menos 5% no acumulado do ano, com taxas de utilização na casa dos 85% e preços em tendência de alta. É uma virada expressiva para uma região que vinha ficando bem atrás do ano anterior o ano inteiro.
Na América do Norte, onde ocorreu a maior parte da Copa do Mundo deste ano, a demanda cresceu 4% e a produção avançou ainda mais rápido, apesar de os dois indicadores estarem entre estáveis e negativos no acumulado do ano. A EMGE levanta uma possível explicação, sem adotá-la como definitiva: os pedidos podem ter sido feitos em maio para papelcartão de fibra virgem, antes dos aumentos de preço que entraram em vigor em julho, embora isso devesse aparecer com mais naturalidade nos dados de junho do que nos de maio. Se foi a própria Copa do Mundo que moveu a demanda, ou se os varejistas simplesmente a superestimaram e recuaram no mês seguinte, é uma pergunta que os dados ainda não conseguem responder, diz a EMGE.
O crescimento mais claro veio da China. A demanda da “Big Asia” vem subindo há algum tempo, mas maio se destacou de verdade, puxado por aumentos de produção na China depois que a Shandong Chenming reativou, em março, mais de um milhão de toneladas anuais de capacidade. Parte dessa demanda aparente pode ainda estar nos armazéns das fábricas, em vez de chegar aos compradores finais, já que o modelo da EMGE não consegue acompanhar as movimentações de estoque mês a mês, mas a alta de preços em toda a região sugere que há pedidos reais acompanhando a oferta adicional.
No papel para papelão ondulado, o avanço foi mais restrito. A demanda global cresceu quase 2% em maio, com a Europa Ocidental como única região em queda, mesmo com os preços do Kraftliner por lá seguindo em alta, uma combinação incomum de volume em queda e preço em alta que a EMGE diz ainda não ter explicação. A América do Norte voltou a crescer antes de novos aumentos de preço em junho, e a Big Asia manteve sua expansão constante, absorvendo parte da nova capacidade instalada na região sem grandes mudanças nas taxas de utilização.


