A suspensão do Brasil do mercado de aves da UE agora tem datas concretas. A Comissão Europeia confirmou uma auditoria in loco do sistema de controle brasileiro para a semana de 24 de agosto, com conclusões preliminares em 14 de setembro e um relatório final improvável antes do fim de setembro. Mesmo um resultado favorável ainda depende da aprovação do Comitê Permanente de Vegetais, Animais, Alimentos e Rações da UE, que volta a se reunir em 19 de novembro. A suspensão em si entra em vigor em 3 de setembro e deve vigorar pelo menos até essa votação, o que deixa em compasso de espera cerca de um quarto dos embarques brasileiros de aves destinados à UE.
A auditoria abrange somente aves por enquanto. Os ciclos curtos de produção tornam a conformidade mais fácil de verificar do que na carne bovina, em que o ciclo plurianual dos bovinos aponta para uma suspensão mais longa e mais incerta. O Ministério da Agricultura do Brasil afirma já ter apresentado a documentação completa sobre inspeções, rastreabilidade e certificação, e classifica o calendário da UE como pouco razoável. Os exportadores brasileiros veem na demora uma barreira não tarifária na prática. A disputa se soma a uma queda de braço interna sobre a proibição de promotores de crescimento antimicrobianos para atender às regras da UE, e destoa do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, em vigor desde maio e pensado para aprofundar os laços entre os dois blocos.
Outro processo comercial foi aberto nesta semana, com horizonte mais longo. A Comissão Europeia abriu uma investigação antidumping sobre as importações chinesas de pato Pequim, após uma denúncia de cinco produtores da UE que alegam que as importações chinesas prejudicaram suas vendas, seus preços e sua participação de mercado. O mercado de pato da UE vale cerca de 800 milhões de euros por ano, e as importações chinesas respondem por aproximadamente um quarto disso. A denúncia sustenta que os produtores chineses se beneficiam de apoio estatal em terra, energia e ração, de modo que a Comissão vai tomar como referência um “valor normal” construído em vez dos preços internos efetivos. Se o dumping e o dano forem confirmados, podem ser aplicados direitos antidumping ao pato chinês sob qualquer forma. Entidades do setor na China respondem que a vantagem de custo é estrutural, ligada à linhagem Cherry Valley, de crescimento rápido, e não a subsídios; o caso deve levar cerca de um ano.
Fora da política comercial, o quadro sanitário é misto. A doença de Newcastle segue avançando na Espanha, enquanto a Alemanha registrou o primeiro caso de IAAP deste semestre depois de um longo período de calma. Nos Países Baixos e na Bélgica, o mercado de frango de corte está se achatando, como esperado, e os preços de exportação da Tailândia se aproximaram dos níveis belgas, com diferença de poucos dólares por tonelada, atipicamente estreita.
A leitura de médio prazo segue construtiva para os preços europeus do frango caso a suspensão brasileira se mantenha, já que ela apertaria a oferta para os processadores da UE ao mesmo tempo que empurra o Brasil a redirecionar volume para mercados que já atende.
Este artigo de notícias faz parte de uma análise de mercado mais ampla da Vesper sobre o mercado global de aves. Para ver a análise completa, acesse: https://app.vespertool.com/market-analysis/3303


