A oferta internacional de amendoim está diminuindo em todas as origens, e a única ajuda pode vir dos EUA e da China, segundo o relatório de mercado de setembro da Alimenta Agri LLC. A Argentina plantou de 25% a 26% menos, e fortes atrasos nos últimos 20% a 25% da colheita prejudicaram a produtividade e a qualidade, deixando uma disponibilidade muito menor para os mercados tradicionais e, como prevê o relatório, nenhum estoque de passagem ao fim da temporada. A safra anterior do Brasil caiu 30%, e o novo plantio pode recuar em proporção semelhante, já que os produtores enfrentam falta de crédito, juros altos e forte endividamento. A Índia plantou mais ou menos o mesmo que no ano passado, mas problemas de chuva apontam para produtividade menor, com um consenso de queda de cerca de 20%. A Alimenta diz que parece quase certo que os preços internacionais continuarão subindo, tanto para a Europa Ocidental quanto para outros mercados.
Nos EUA, o quadro é o oposto. O USDA estima a safra 2026 em 2,634 milhões de toneladas curtas, queda de 26,6%, depois que a área plantada caiu 27,65% e a estimativa de produtividade recuou para 3.879 libras por acre. Graças ao estoque de passagem recorde de 2025, a oferta total ainda deve ser suficiente. A demanda está fraca: os dados de estoques e processamento de agosto do USDA mostraram queda de 4,52% no uso total para consumo humano na comparação anual, com confeitos 7,52% abaixo e snacks 9,18% abaixo. A Alimenta duvida da projeção do USDA de crescimento de 2,97% da demanda interna e vê o estoque de passagem da próxima temporada mais perto de 1,2 milhão de toneladas curtas. Os preços da safra atual ainda assim se firmaram no último mês, e o interesse renovado da UE é o único ponto positivo na demanda, com a safra atual americana cotada de forma mais competitiva que o produto cru argentino.
China: um acordo comercial e um boato
O acordo comercial fechado no encontro entre Trump e Xi inclui amendoim descascado e amendoim em casca dos EUA, além de amendoim torrado e pasta de amendoim. Os termos não estão claros, mas a Alimenta diz esperar que o acordo leve ao cancelamento da tarifa adicional de 10% sobre as importações dos EUA, possivelmente a partir de 1º de outubro. Ao mesmo tempo, há boatos de que a China pode proibir as importações de amendoim em casca dos EUA, e os EUA são hoje a única origem que exporta amendoim em casca para lá. As exportações americanas para a China chegaram a 14.377 toneladas em julho, enquanto as exportações totais dos EUA subiram 66% na comparação anual, para 49.179 toneladas.
No setor de beneficiamento de amendoim dos EUA, a imprensa local informa que a Delta Peanut, única beneficiadora do Arkansas, pode encerrar as operações em outubro. Se isso acontecer, seus clientes terão de voltar ao mercado para cobrir seus volumes, uma fonte inesperada de demanda.
Apurado pela Alimenta Agri LLC.


