O contrato de dezembro de café, o mais negociado, perdeu 18,15 centavos de dólar por libra-peso de terça a terça e fechou a 2,91 USD/lb. Com isso, o mercado rompeu a faixa de 3,00 a 3,10 USD/lb que a Sucafina esperava ver sustentada, e o nível cedeu rápido, em vez de desacelerar a queda.
O Brasil é o que mudou o quadro. A chuva caiu de forma ampla por todo o país e o Brasil caminha para um dos inícios de setembro mais chuvosos já registrados. A umidade do solo é suficiente para levar os cafezais até a safra 27/28, e todas as regiões produtoras já apresentam uma florada expressiva e generalizada. Temperaturas mais baixas e mais chuva na previsão significam que, por ora, não há risco de tempo adverso prejudicar essa florada.
A nova florada também quase não atrapalha o que resta da safra atual. A equipe da Sucafina estimou a colheita de arábica 26/27 em 97% de conclusão no fim da semana passada. O que sobra é varrição, cereja que já havia caído no chão e que dificilmente terá boa qualidade, faça o tempo que fizer, de modo que a nova florada deve ter efeito mínimo sobre o fim da colheita.
Tudo isso aconteceu enquanto o mercado se preparava para o oposto. A preocupação com um “El Niño Godzilla” era a premissa por trás de um preço mais firme, e o calor persistente em Honduras e na Guatemala, apontado pela Sucafina na semana passada, deveria segurar o mercado perto de 3 USD/lb. O Brasil se mostrou o sinal mais forte, e a Sucafina espera que ele siga pesando sobre os preços, com o mercado rumando a 2,80 USD/lb até o fim da semana.


