O Brasil embarcou mais café em agosto do que em qualquer outro agosto da série histórica, tanto de arábica quanto de robusta, e o preço quase não mudou. O contrato de dezembro, o mais negociado, caiu 0,8 centavo de dólar por libra-peso na semana e terminou a 290,5 centavos, segundo o relatório mais recente de café da Sucafina.
A semana foi menos tranquila do que esse número sugere. Os preços recuaram a uma mínima de 282 centavos na quinta-feira, perto do nível de 280 que a Sucafina esperava, à medida que o clima melhor no Brasil mudava o humor do mercado, e então encontraram um suporte mais consistente e se recuperaram. Esse suporte não veio do mercado de café.
A volta das preocupações com a inflação e o temor de escalada no conflito dos Estados Unidos com o Irã elevaram os preços das commodities de forma ampla na semana passada. O petróleo bruto liderou o movimento e foi negociado acima de 100 USD/barril. O café passou a maior parte do período em queda, o que deixou o contrato barato para quem buscava proteção contra a inflação.
As notícias do próprio café seguiram baixistas. Os embarques brasileiros de agosto foram recorde para a época do ano tanto no arábica quanto no robusta e, no arábica, o único mês recente que chegou perto foi durante a safra recorde de 20/21. A Sucafina lê isso como a disponibilidade transbordando de um Brasil abarrotado para o resto do mundo, onde os estoques ainda precisam ser recompostos.
Isso deixa os próximos pregões dependentes do que acontece fora do mercado de café, e não dentro dele. A Sucafina espera um comportamento de preços determinado sobretudo pelo macro e coloca a faixa provável entre 285 e 295 centavos de dólar por libra-peso. A análise de café da Vesper, com contribuição da Sucafina, acompanha os dados de embarque e de estoque por trás dessa projeção.


